Flores roubadas: uma pequena reflexão sobre a inveja.

Imagem

Gosto muito de jardinagem. Todos os dias planto e cuido do jardim. E todo dia minhas flores são roubadas.

Isso me despertou uma pequena reflexão sobre a inveja. Roubar flores pode parecer um ato inocente, que não afeta profundamente a vida de ninguém, nem se configura em um grande crime. Mas revela muito sobre o caráter de quem o faz.

É natural que ao nos depararmos com a beleza nós a desejemos. Faz parte do ser humano e da própria essência da beleza. É bom desejar o belo, o belo eleva a alma, afinal “a beleza é o esplendor da verdade”.

Aí a pessoa resolve roubar a flor, ter a beleza somente para ela, ignorando que para que a flor brotasse houve dedicação, adubação, podas regulares, irrigação, etc. Essa pessoa quer ter o belo para si sem o custo que ele acarreta, Quer ter as coisas facilmente, sem trabalho, simplesmente tomando do outro.

E não se conforma por que a flor roubada não brota em seu jardim, ela definha….e a grama do vizinho é sempre mais verde. Bom talvez o vizinho seja mais sortudo, tudo que ele planta dá ; é a justificativa que inventam.

E começam a invejar a sorte do vizinho, como se tudo que ele tem e é caísse do céu e o invejoso fosse vítima de uma má sorte tenebrosa onde nada prospera. Essa é a semente de muitos crimes, sem trocadilho. Da pequena admiração sadia vai crescendo o desejo de tomar o que é do outro, algumas vezes de forma violenta.

Em alguns casos surge o desejo de destruição : se eu não tenho, ninguém vai ter.

É um pequeno exemplo, mas existem muitos outros e muito mais graves. Outro dia vi a notícia de uma menina que foi espancada na escola por que era bonita. Sim, o motivo foi unicamente esse, a inveja. São seres incapazes de ver beleza em si mesmos ou de procurar por ela e simplesmente odeiam quem a possui, E como a inveja é voraz, ela cresce. Não basta odiar, é preciso eliminar o objeto da inveja. E não é só a vítima da inveja que sofre. O pior sofrimento é o do invejoso.

A cura para isso? O autoconhecimento. Ao invés de roubar as flores do jardim do outro, plante o seu. O mundo ficará mais bonito com mais jardins. Enquanto você acha que a grama do vizinho é mais verde, a sua definha por falta d’água. Não é culpa da sorte, nem do destino, é culpa sua.

Anúncios

Caso Bruno e o ocultamento da mídia.

O goleiro Bruno recebeu sua condenação justamente no dia da mulher.  É um motivo para se comemorar em um país de tanta impunidade. Mas não precipitemos a comemoração. Há um fato muito importante nesse caso que está sendo criminosamente ocultado e desconsiderado pela mídia. O motivo do crime.

O que levou Bruno e sua caterva a fazer toda essa barbaridade? A recusa da amante Elisa em fazer um aborto. Para quem não se lembra:

Quantas e quantas mulheres são coagidas, ameaçadas ou forçadas diariamente a abortar? Raras são as mulheres que espontâneamente procuram o aborto. Quem defende o aborto é contra a mulher. Por isso o silêncio das feministas, da mídia e do público em geral sobre o motivo do crime? Talvez…

 

Vamos falar de esporte?

Como a proposta desse blog é a reflexão, estaremos sempre variando nossos temas, portanto a reflexão de hoje será sobre o esporte sob a perspectiva cristã.

Não há como não iniciar citando o Apóstolo Paulo, que comentou sobre os atletas:

“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.
E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.
Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar.
Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”.
1 Coríntios 9:24-27
Os jogos que Paulo assistia provavelmente eram os “Jogos Ístmicos”, que ocorriam no Istmo de Corinto.
Ele estava falando especialmente a esse povo, tão aficcionado por esportes. Sua habilidade de pregador entre os gentios fazia com que usasse a comparação mais adequada para que cada povo entendesse a mensagem da Salvação.
E isso quer dizer que Paulo apoiava ou condenava os jogos? Nem um nem outro. Eles eram uma paixão dos povos pagãos. Eram realizados em honra de outros deuses. E, como boa parte dos costumes pagãos, podiam ser violentos. Paulo apenas mostrou aos corítintios que havia uma corrida e um galardão que valiam muito mais. Ele também destacou as virtudes que se adquire no esporte: a disciplina, o esforço, o domínio próprio, etc.
Mas a relação entre o esporte, o paganismo e a violência nunca se dissipou. Se naquela época tínhamos os jogos em honra à Netuno/Posseidon, com lutas violentas, hoje temos o MMA e as Olimpíadas de fundo pagão.
Uma dúvida de muitas pessoas é sobre a licitude dos esportes violentos. E a resposta é simples, eles não são lícitos. Nossa primeira obrigação é cuidar do nosso corpo, que é templo do Espírito Santo.
Quando esse corpo está sendo massacrado, com risco de sérias lesões, ou quando estamos causando dano ao corpo de outra pessoa, estamos incorrendo em pecado. Vários lutadores já morreram nas arenas de MMA. Não há como defender a posição de que essa seja a vontade de Deus para alguém.
Mas existem os esportes nobres. São os que fortalecem o corpo, mantém a saúde e disciplinam a mente.
Esses nós devemos praticar. São a natação, a corrida, o remo, o hipismo e os jogos de equipe. Sempre sem exagero. Não há condenação nenhuma para o esporte, pelo contrário.
Basta sabermos escolher o que é bom, o que é virtuoso, o que enobrece ao homem ao invés de humilhá-lo e, por fim, matá-lo.

Uma análise sobre a polêmica de “Salve Jorge”.

Me causou estranheza a polêmica envolvendo o nome de uma novela. Coisas que só acontecem no Brasil. Enquanto vivemos uma escalada de violência, de corrupção e falta de valores, os brasileiros tem a incrível capacidade de se mobilizar contra o nome de uma novela, que em nada altera suas mazelas.

Cada povo tem o país que merece…

Mas esse acontecimento pode ser analisado de uma forma mais profunda, muito além da simples incoerência.

Dizem os críticos da do nome da novela que São Jorge é Ogum.
Realmente é, no sincretismo afro-brasileiro. E o que é sincretismo? Tecnicamente é a fusão de doutrinas ou mitos de diferentes origens. A lenda é parecida, representa os mesmos aspectos, em uma cultura diferente. Mas São Jorge só se torna Ogum no Brasil. E o Ogum sincretizado brasileiro provavelmente seja muito diferente do que é cultuado na África.

Assim sendo, São Jorge não é apenas Ogum. Ele também é Marte, Ares, o deus da guerra.

Ele representa aspectos muito importantes do ser humano. Ele é o primeiro impulso para a ação. É a auto-defesa, a defesa do outro, a coragem, o heroísmo, a fertilidade, a impulsividade, a violência, as armas de fogo, o aspecto masculino.

Ele é persona non-grata em um mundo que se esforça para eliminar o masculino. É muito bonito se falar em amor e em paz. Mas não há paz sem forças que a mantenham. Não há paz sem guerra. Para termos paz precisamos de soldados que lutem por ela, que exerçam a violência em nome de um bem maior. Esse é apenas um exemplo, entre tantos que poderiam ser citados.

É isso que o mito representa. São aspectos demasiadamente humanos. O mito não é um ente sobrenatural com poderes para influir na vida de quem cita seu nome. Por isso não faz sentido combater o mito. Além de não fazer sentido, é impossível. O mito não morre.

Acreditar que Ogum/ Jorge /Marte/ Ares invade a casa de cada telespectador que assiste a novela é superstição. Do tipo mais primitivo.

Mas sabemos que o tal protesto contra a novela não partiu do povo, mas de dirigentes religiosos sabidamente anti-globo. Me assusta que o brasileiro ainda seja tão manipulável. É impossível que não percebam que o objetivo do protesto não é religioso, não é abençoar nem amaldiçoar ninguém e sim uma disputa política e comercial entre emissoras, onde o telespectador é apenas marionete.

Meu conselho: Aprendam a viver com liberdade. Deus nos fez livres e nos quer livres. Assistam sua novelinha sem medo se assim desejam. Ninguém será punido por asistir novela. Se ofende sua fé, não assista. Simples assim. Participar de movimentos contra ou a favor é ser manipulado politicamente. É desviar-se do foco principal. Não se deixe manipular.
Um vídeo cristão sobre a belicosidade do verdadeiro amor:

 

Caiu a cara da mídia!!!!!

  Essa semana conhecemos o homem que foi chamado de ” O Cadinho da Vida Real”.

Cadinho é um personagem da novela “Avenida Brasil” que vive com três mulheres. O Cadinho da vida real se chama Sandro e já estava partindo para a quinta mulher.

Pois bem, ele com suas “mulheres” estiveram em vários programas de televisão. Grande parte da mídia os apresentou como se a situação em que vivem fosse algo bom, como se a promiscuidade fosse desejável.

Nenhum dos apresentadores (que eu saiba) se dignou a mencionar que isso no Brasil é crime. Nenhum deles questionou moralmente a questão. Nenhum se preocupou em abrir uma discussão sobre os efeitos nocivos disso na mente dos filhos. Foram pelo caminho oposto. Glamourizaram o erro entre risos, piadinhas, incentivos e uma pitada de inveja.

Talvez quisessem lançar moda ou somente explorar comercialmente a curiosidade mórbida do espectador. Nunca saberei.  E, não mais que de repente, a surpresa: o harem encantado ruiu.  Por trás do modo de vida que a mídia tentou embelezar estavam as ameaças, a fome, o cárcere privado, a tortura psicológica e a magia negra.

Muitos farão a crítica mais fácil, dirão que a culpa é da novela. Não, nada é culpa da novela. Novela, qualquer que seja, é uma ficção, é uma história inventada, que não precisa necessariamente estar presa aos parâmetros da realidade.

O enredo de uma  novela permite situações diferentes de vida, cômicas pou trágicas. Ela não tem a pretensão de propor à sociedade um comportamento, nem de inibí-lo e muito menos de criar experiâncias sociais. Se uma pessoa não sabe separar ficção de realidade ela não está apta a assistir televisão.

Mas o povo sabe discernir. O que me preocupa é que pessoas tidas como formadoras de opinião percam tempo em igualar a promiscuidade ao casamento, em tentar tornar bom o que é mau em sua essência.

Depois da revelação da farsa, os mesmos apresentadores hipocritamente se calaram. Poderiam- ou deveriam- tentar uma reparação. Poderiam falar do perigo das seitas. Poderiam falar sobre abuso psicológico na infância. Poderiam tentar ajudar essas mulheres de alguma forma. Poderiam ao menos pedir desculpas ao público. Mas não o farão.  Estarão muito ocupados procurando novas bizarrices para promover, não importa o custo social que isso tenha.

Toca pro inferno, motorista!

Não há como negar. Avenida Brasil é mais que uma novela, é uma obra de arte que deixa pouco a desejar em relação às grandes tragédias clássicas. A trama é uma metáfora do “eterno retorno” de Nietzsche.

Para quem não conhece esse conceito filosófico, deixo a citação de Nietzsche em “A Gaia Ciência”. O texto é auto-explicativo:

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!”.

Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!

” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Pois bem.  Todos os personagens principais estão presos na ampulheta do tempo. Vivendo e revivendo seus erros.

E vivendo e revivendo os erros dos outros, que erraram antes deles, em um ciclo que nunca se finda.

Só conheço um lugar onde a dor nunca termina, onde o erro persegue ou, como diz a Bíblia, “onde o seu verme não morre”.  Esse lugar se chama inferno. E o inferno da trama é o lixão, que abriga todos os erros e pecados, onde tudo começa e onde tudo irá findar. Não foi por acaso que Carminha, em mais um ciclo de retorno disse : “Toca pro inferno, motorista!” O lixão é a real representação moderna do inferno. É a mitologia possível aos nossos dias.

Ora, o lixão acolheu e penalizou (ou ainda penaliza) todos os tipos de pecadores. A começar por Lucinda. Ao que parece a trama toda se origina na luxúria de Lucinda e Santiago. Dois amantes que por um golpe da fortuna foram condenados a jamais terem seus amores saciados.

Nilo e Max são os gulosos e invejosos. Será que o escritor pensou nisso ao chamar o personagem de Max? O que sempre quer mais? Nada é sufciente para os dois. E eles invejam, e se possível roubam, arrancam, destróem como parasitas qualquer bem que os outros tenham. E foram condenados a sempre desejar e nunca ter.

E o que dizer do preguiçoso Tufão? Em sua inércia sempre vê a Terra Prometida, mas nunca tem coragem ou ânimo suficiente para entrar nela. Como tem bom coração, acredito que será o único a se salvar da condenação final. Há esperança para o Tufão.

A irascível Nina se tornou uma espécie de Dorian Gray. E quanto mais se vinga, quanto mais dá vazão à sua ira, mais fere a si mesma.  Cada golpe na inimiga é um corte na própria carne. E assim Nina fica condenada a estar sempre ligada a quem mais odeia. Nina depende de Carminha. Não é mais questão de justiça, mas de necessidade.  Há castigo pior que esse?

E por fim a soberba Carminha. Uma síntese de todos os pecados. Carminha peca, trai, seduz, mente, rouba, se vinga, limpa a boca e acha que não fez nada. É um mulherão. É inteligente. É superior à todos. E é castigada com a cegueira.

Carminha se acha tão boa a ponto de ser intocável. Ninguém poderia desafiá-la. Ninguém tinha essa capacidade. E jmustamente por essa soberba não pôde enxergar as contradições mais óbvias do seu caminho. Acredito que a trama acabará exatamente assim. Carminha será incapaz de se perceber como errada. Talvez morra, crendo-se santa, a melhor santa que o lixão/inferno conheceu.

Um estudo sobre seitas

A maioria das pessoas, quando ouve falar em seitas, imediatamente imagina um grupo de pessoas exóticas escondidas do mundo em capuzes negros e fazendo sacrifícios rituais.
Embora isso também seja uma realidade, ainda que restrita, as seitas estão bem mais próximas de nós do que comumente podemos imaginar.

Seu recrutamento não para.

Ninguém está seguro, nem eu, nem você, nem nossos filhos.

A seita pode estar na esquina de sua casa, naquela palestra inocente, na conversa de um vizinho.
Quando percebemos, geralmente é tarde. Vidas foram desfeitas, talentos desperdiçados, famílias dilaceradas.

Escrevo esse artigo na esperança de que não seja tarde demais para você e sua família.

Espero sinceramente que ele chegue às suas mãos na hora certa para que você possa identificar e prevenir o perigo, por que o melhor remédio contra seitas é a informação e a prevenção.

Não espere que o governo faça isso por você.
Seqüestro, abuso sexual, evasão de divisas, tráfico de drogas e outros crimes são comuns nesse meio.

Não é meu objetivo fazer proselitismo religioso ou indicar o que você deve seguir.

Cada pessoa nasce livre em suas escolhas.
Muitas das seitas aqui citadas são as que foram internacionalmente classificadas como destrutivas.

Obviamente, além dessas existem muitas outras, elas nascem a cada instante.

Caberá a você, em posse das informações necessárias, manter constante vigilância sobre seus entes queridos.

O que é uma seita?

Existem várias formas de se definir o que é uma seita.
A palavra seita vem do latim “sequi” que significa “seguir”, embora alguns teóricos afirmem que venha de “sectare” ou “cortar”, significando nesse caso uma doutrina que se separou de seu ramo principal.

Eu prefiro usar a visão que se impôs no Ocidente, de que seita é uma doutrina fechada de cunho radical que se afasta da opinião da opinião geral causando destruição total ou severa dos laços afetivos, psicológicos e da comunicação do sectário, consigo mesmo e com seu meio.

Existe hoje em dia uma pressão das seitas para que não se use essa palavra, elas querem ser aceitas como novos movimentos religiosos, coisa que não são.

Não devemos nos censurar nas palavras ao ver algo que toque o sinal vermelho, mas, ao mesmo tempo, não podemos usar a palavra como arma para desqualificar pessoas que pensam de forma diferente.

Lembre-se sempre que o sectário precisa de ajuda, não de ataques.

Como estamos pisando em um campo muito sutil, existem também várias classificações para as seitas.
Vamos analisar algumas delas.

a) Classificação segundo sua atividade principal:

– Seitas Religiosas: É o grupo que mais nos chama a atenção e para quem eu dedico esse artigo. São seitas que centralizam seu discurso em temática religiosa ou de índole espiritual.

– Seitas Políticas: Seitas discriminadoras, de caráter político e em alguns casos para-militares. Podem surgir de movimentos religiosos e adquirir características políticas.

– Seitas Psicoterapêuticas: São seitas que se propõem a relaxar o estresse, as tensões e trazer o “desenvolvimento pessoal”.
Implementam diretamente, sem conteúdo religioso, as técnicas de persuasão coercitiva e de manipulação afetiva, trazendo sensações que despertam dependência em seus seguidores.
Algumas vezes chegam a ser mais perigosas que as seitas religiosas.

– Seitas Comerciais: São organizações que implementam técnicas de manipulação da conduta e persuasão coercitiva com a única finalidade de vender um produto.
Geralmente se apresentam como um método mágico que pode mudar a vida financeira do seguidor. Baseiam-se no desejo de prosperidade material para implementar técnicas agressivas de premiação e castigo que trazem medo e culpa.
É comum que o captado tenha que fazer sempre novos investimentos para se manter na organização e se não há lucro, a culpa é toda sua, nunca da seita.

– Seitas de Contra-Cultura: Embora surjam a cada dia movimentos novos na arte, na música, na literatura, alguns deles ganham características sectárias. São pouco numerosos para se constituir em uma seita, mas podem trazer sem querer alguns danos característicos das seitas, como imaturidade afetiva, perda da individualidade, incapacidade de inserção social, etc.

b) Classificação segundo a pregação:

-Seitas Conversionistas: O discurso está centrado em um forte chamado à conversão, algumas vezes de cunho apocalíptico.

– Seitas Revolucionárias: Se baseiam no desprezo à sociedade e suas estruturas e propõem uma nova ordem social, diferente do conhecido até hoje que deverá ser criada com base nos ensinamentos de algum mestre.

-Seitas Introversionistas: Propõem-se a desenvolver o “eu interior”, trazer bem estar, superar as próprias limitações, descobrir o próprio potencial,etc.

-Seitas Manipuladoras: Encontram um problema e só eles tem a solução.
Você está deprimido? Está desempregado? Eles têm as soluções mais diversas.

-Seitas Taumatúrgicas: São seitas que prometem milagres. A diferença entre elas e as manipuladoras é que as primeiras te darão algum objeto ou ritual quase mágico, as taumatúrgicas te fazem esperar por um milagre.

– Seitas Reformistas: Colocam-se como verdadeira essência de uma igreja qualquer que segundo eles se corrompeu. Podem até manter laços com a igreja original, mas se colocam de forma sectária.

– Seitas Utópicas: Propostas radicalmente novas baseadas na existência de alguma mensagem reveladora e de modo totalmente inovador.
Um bom exemplo delas é a seita dos Raelianos, que queriam clonar seres humanos.

-Novas formas de religiosidade: Desde a década de 60 surgem elementos soltos, pinçados de diversas crenças tradicionais, mas mostrados de maneira nova. É o discurso da Nova Era.
Assim o zen budismo, o rosário católico, o mantra hindu, todos tomam o mesmo valor sem a menor ligação com a religião tradicional, o compromisso é apenas com a espiritualidade.

-Seitas Satânicas: Podem ser entendidas também como seitas revolucionárias, mas não abrangem apenas um aspecto da sociedade. O desprezo é por tudo, especialmente pelo cristianismo.

c) A classificação mais importante para o intuito desse artigo, seitas leves e seitas destrutivas:

Esse tipo de classificação leva em conta o grau de técnicas de coerção e lavagem cerebral a que a pessoa é submetida.

-Seitas leves: Não fazem uso de técnicas agressivas, ou fazem uso menor e parcial delas.

-Seitas destrutivas: Grupos que usam de modo sistemático as técnicas de reprogramação e condicionamento do comportamento. Costumam criar comunidades isoladas e fechadas, sem forte doutrina, mas com forte ênfase no caráter grupal. Desestruturam a personalidade anterior do adepto, provocam ruptura total ou parcial de sus laços afetivos gerando um estado de alienação.
É o que costumamos chamar de lavagem cerebral.

Aqui temos algumas dicas:

– O grupo está organizado em torno de uma doutrina pseudo-religiosa encabeçada por um líder que tem autoridade absoluta:

Provavelmente esse líder tem a chave de toda verdade, nada fora do que ele diz é verdadeiro, algumas vezes é visto como um Deus, como um enviado dos céus ou portador da mensagem salvadora. Toda área do conhecimento é analisada por ele, nenhuma sabedoria lhe falta.

– Os argumentos são baseados na autoridade, não na razão, são incontestáveis:

Quem contesta está possuído por forças malignas ou não quer enxergar a verdade.
Algumas seitas controlam até mesmo as tarefas cotidianas das pessoas, o modo de comer, de fazer a higiene, a música a ser escutada, tudo deve ser feito de acordo com a orientação da seita e sem contestação.

-Exigência de adesão total e incondicional ao grupo:

A pessoa deve tentar levar à seita quantas pessoas puder e se estas não concordarem esses laços deverão ser rompidos com o tempo. Não importa se são pais, maridos ou filhos.
As amizades e conversas deverão ser mantidas apenas com quem freqüenta o mesmo grupo.

– O membro deve manter uma vida em comunidade:

Os que não aderem totalmente à comunidade mantêm laços de dependência afetiva, emocional, econômica ou laboral com os de dentro.

-Anulação da intimidade:

Se interrompem os mecanismos de livre escolha e auto determinação. Todos es espaços da intimidade da pessoa são invadidos.

-Controle da informação:

Começa com a proibição de ver televisão ou ler algum material, são permitidos ou aconselhados apenas o material do grupo. Pode chegar até mesmo à censura de cartas, telefonemas, etc.

– Uso de técnicas neurofisiológicas ou de manipulação que são geralmente chamadas de meditação, visualização, renascimento espiritual, experiência de morte e coisas semelhantes.
Essas técnicas dissolvem a fronteira entre realidade e fantasia e anulam o raciocínio crítico.

– Uso polarizado de valores:

O grupo representa o bem, os outros são o mal.

– Renúncia dos bens materiais, onde o captado chega a doar seu patrimônio ou grandes somas de dinheiro para participar de cursos e encontros.
Os que trabalham doam seu salário ou grande parte dele, os que já dependem financeiramente do grupo trabalham sem lucro algum.

Quem pode ser captado?
Ninguém está a salvo das seitas.
Não é uma fraqueza moral ou de caráter como se costuma pensar.
As seitas têm técnicas de recrutamento agressivas, destinadas a um público especial.
Elas sabem o que dizer na hora certa, elas tem as respostas para qualquer tipo de pessoa.Todos nós temos momentos de dúvida, de crise existencial, momentos em que as coisas simplesmente não dão certo, em que esperamos uma palavra ou alguém que nos ajude.
É nessa hora que a seita atua. Elas prometem a salvação.
Elas têm todas as respostas.
Acabamos pensando que não faz mal tentar, que é só uma palestra, que vamos relaxar ou conhecer pessoas.
E de repente…uau!!! Depois da inocente palestra estamos mais calmos e confiantes!
É como uma droga, vai viciando aos poucos, quando vemos, estamos presos.

O que observamos freqüentemente é um racha na comunicação familiar que leva o indivíduo a procurar carinho e amizade fora dela. Quando chega na seita a pessoa se sente contagiada por aquele ambiente de “amor” como se encontrasse seu lugar no mundo.
Todos buscam referências e contato grupal, principalmente na adolescência.
É importante mantermos sempre laços familiares fortes na prevenção contra seitas.

Apesar disso, as pessoas que ficam definitivamente captadas tem algumas características em comum.
Geralmente estão em um momento de grande insatisfação ou perda, estão deprimidas, sentem um vazio interior, tem tendência a serem dependentes, se sentem inseguros, podem apresentar interesse pelo desconhecido, grande curiosidade pelo oculto, necessidade de atenção e afeto, procuram um valor para viver, tem pensamentos alternativos sobre a sociedade, etc.

O mais importante de tudo é: nunca pense que não vai acontecer com você.
Você é um ser humano e tem também seu ponto fraco, por mais cético ou questionador que possa ser.

Transtornos causados por seitas
Além dos transtornos aqui citados existem outros. Cada caso deve ser analisado isoladamente.a) Mudança de personalidade:

É a primeira coisa que a família percebe no captado.
A pessoa deixa de ser o que era. Seus gostos e preferências mudam radicalmente.
Não freqüenta mais os mesmos lugares nem tem os mesmos amigos. Pode se tornar até agressivo.
Quanto mais se aprofunda na seita mais forte é essa mudança. Além disso, a seita costuma ensinar como se comportar em qualquer ambiente.

b) Forte dependência ao grupo:

Quanto mais tempo o indivíduo permanecer na seita será mais dependente.
Ele não sabe fazer mais nada sem consultar o grupo. Muitos dos que conseguiram sair de seitas chegaram até mesmo ao suicídio porque sua vida perdeu a razão de ser, lhe falta algo.

c) Medo irracional de tudo que esteja fora da seita:

Devido à lavagem cerebral imposta, o indivíduo sente um medo extremo nas relações fora da seita. Não pode ouvir nada em contrário, teme se contaminar com outras doutrinas, teme cometer erros graves, tem medo de ser castigado pelo além, por Deus ou o que quer que chame.

d) Transtornos psíquicos:

São relatados todos tipos de transtornos psíquicos, principalmente a paranóia.
O indivíduo se sente perseguido pela família, pela sociedade, pelas forças do mal, por inúmeras coisas.

e) Regressão infantil:

Algumas seitas controlam totalmente a pessoa, que acaba regredindo a um estado infantil onde depende totalmente da vontade alheia. Se torna incapaz de tomar sozinho alguma decisão, perde qualquer responsabilidade.

f) Baixo nível de raciocínio crítico:

As seitas aumentam demasiadamente os sentimentos e diminuem o pensamento racional.
É muito mal vista dentro da seita uma pessoa questionadora ou crítica. Elas não permitem que ninguém pense por si mesmo.

g) Debilitação física:Para que as técnicas de lavagem cerebral sejam mais efetivas a pessoa tem que estar com as defesas psíquicas rebaixadas.
Para isso são utilizadas dietas específicas, jejuns, vegetarianismo estrito, trabalho exaustivo, poucas horas de sono, interrupção do sono, sessões enormes de meditação ou oração, posições que machucam o corpo, mortificações, etc.

h) Incomunicabilidade com o mundo externo:

A pessoa pode ser mantida incomunicável, até mesmo com a família.
Esses laços vão sendo cortados gradual ou repentinamente. Não é interessante para a seita que alguém possa falar algo em contrário. Além disso, a pessoa pensará duas vezes para sair da seita, não terá mais apoio nenhum.

i) Incapacidade de raciocinar corretamente:

As seitas deturpam a realidade. Fatos normais têm uma interpretação que pode beirar a loucura. Assim se cria uma linguagem especial só entendida pelos iniciados na seita.

j) Manipulação da sexualidade:

O indivíduo pode ter sua sexualidade também controlada pelo líder da seita, seja pela falta ou pelo excesso.
O líder pode decidir com quem se deve casar e quando engravidar, entre outras coisas.

k) Ansiedade e insegurança:

A ansiedade é um resultado natural do controle exercido pela seita.
Cria-se um círculo vicioso onde o controle gera ansiedade e a ansiedade é controlada pela seita.

l)Auto-estima rebaixada:

O indivíduo deve sentir que não é nada. Para isso existem cultos de confissão coletiva onde só os aspectos negativos da personalidade são reforçados. Sem a seita a pessoa não poderá ser nada de positivo.

m) Pesadelos:

Muitos dos captados costumam ter pesadelos devido ao medo e ansiedade produzidos, principalmente quando conseguem sair da seita.

n) Depressão:

É comum a depressão devido ao choque de valores, principalmente ao deixar a seita.

Familiares em seitas, como agir?
– Em primeiro lugar não entre em choque com ele.
Não critique abertamente o líder ou as crenças da seita. Não tente impedi-lo ou limitá-lo de alguma forma, isso só fará com que ele se afaste ainda mais de você e se apegue à seita.- Procure ajuda profissional.
Não tente lidar sozinho com o problema e não ache que pode resolver à força.
Ajuda profissional significa menor desgaste emocional para você, para sua família e para o próprio afetado. Mas por favor, procure um bom profissional, não confie seu problema ao primeiro que aparecer com tratamentos mirabolantes por desespero.

– Tente manter sempre o diálogo e os laços afetivos, ainda que seja difícil.

– Não se envolva diretamente com a seita.
Nem mesmo os profissionais fazem pesquisas de forma direta.
Eles se baseiam no testemunho de ex-adeptos.
Procure estar informado através de ex-adeptos e grupos de ajuda, eles podem dar ao seu familiar uma outra visão dos fatos.

-Não mande dinheiro ao familiar nem ao grupo, assim limitamos sua ação.

-Não se sinta culpado, você não fez nada de errado.
Tampouco se sinta intimidado pela seita, denuncie qualquer ameaça.